IHGP transfere acervo para nova sede no Jaraguá

Crédito: Del Rodrigues
Tesouro documental: a presidente do IHGP na sede antiga, em meio a parte do acervo


“A mudança começou há cerca de um mês, mas vai longe”, avisa Valdiza Caprânico, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP). Após 39 anos, a instituição, que é uma das “guardiãs” do tesouro documental do município vai deixar a sua pequena e insalubre sede no Centro e rumar para um imóvel no bairro Jaraguá, cedido pela Prefeitura.

Instalado desde 1978, no prédio da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (rua do Rosário, 781), onde inicialmente funcionou o Fórum de Piracicaba, o cinquentenário IHGP tem prazo até o dia 18 de dezembro para desocupar uma série de pequenas salas, situadas na ala esquerda e superior do imóvel.

Espaços que, há um bom tempo, acumulam problemas elétricos, hidráulicos, goteiras, infiltrações, poeira e outros fatores de alto risco ao enorme e valioso acervo do IHGP. Por hora, o cenário é caótico na sede atual.

Há caixas e mais caixas, pilhas de volumes que armazenam coleções de jornais impressos no município (desde 1880!), pôsteres, quadros, esculturas de personagens ilustres, revistas, milhares de fotografias, livros, estantes, mobília e outros itens que aguardam a mudança para o novo espaço.

“Tem metade das coisas aqui e metade já lá na casa nova”, afirma Valdiza. A vindoura sede fica na rua professor José Martins de Toledo, 109, no bairro Jaraguá. No local (com 292 metros quadrados) funcionava uma escola.

Readaptado, agora o espaço vai abrigar a Secretaria, a Sala da Diretoria, um anfiteatro, um espaço para exposições, cozinha e o acervo físico do IHGP, que será acomodado num grande cômodo.
O imóvel ainda possui sanitários masculino, feminino e um adaptado para deficientes físicos. A nova sede foi entregue pela Prefeitura em dezembro de 2014, mas por falta de recursos a mudança só começou agora.

“Essa mudança está sendo realizada graças a doações feitas alguns dos nossos associados, dinheiro que está sendo usado para o pagamento do transporte particular”, afirma Valdiza. O prédio já tem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e os últimos ajustes de segurança (extintores e a colocação de corrimãos) estão sendo providenciados.

“Temos que finalizar a mudança até 18 de dezembro. Vamos adequar o espaço ao atendimento público”, comenta a presidente do IHGP, fazendo menção a pesquisadores, universitários, escritores, jornalistas e outros habitués do instituto.

“Meu principal objetivo era conseguir uma sede definitiva para o IHGP. Esse sempre foi o meu sonho desde que assumi a presidência em 2016”, diz a presidente, cujo mandato finda no primeiro semestre de 2018. Valdiza observa que o IHGP já poderia ter sua sede há muito tempo e faz uma crítica a antigos presidentes do Instituto.

“Lamentavelmente, os presidentes do passado tiveram mais condições para adquirir uma sede, por exemplo, por meio de doações, que antes eram mais fáceis de viabilizar, mas não o fizeram”, declara.

Sobrevivência

De acordo com Valdiza, o IHGP sobrevive com o repasse anual de R$ 52 mil (convênio celebrado com o poder público municipal), a anuidade paga por seus cerca de 50 associados e a contribuição de doadores voluntários. “É muito pouco, mas é a verba que temos para manter o IHGP funcionando”, afirma Valdiza.
Um dos planos para o futuro próximo, diz a gestora, é a contratação de estagiários e o recrutamento de voluntários que possam auxiliar o atendimento ao público interessado em fazer consultas no IHGP.