Vida de português que viveu em Piracicaba está sendo resgatada

O IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba) está ajudando a resgatar a história de um português que viveu em Piracicaba fugindo da perseguição que este teve na cidade do Porto em decorrência da Revolução Maçônica. A história começa em 1891 e está sendo estudada por Carolina Martin, diretora de acervo da entidade, com a intenção de colher informações a serem passadas para os descendentes aos familiares do português.

O intercâmbio de informações foi solicitado pelo pesquisador Pedro Reis, o qual está realizando pesquisa sobre os irmãos Salgado. Ele é autor de livro sobre Heliodoro Salgado e agora escreverá um livro sobre o capitão Augusto Salgado. Reis descobriu que Agusto Salgado viveu em Piracicaba por muitos anos e por isso entrou em contato com o IHGP.

Augusto Salgado e o irmão se envolveram em uma revolução maçônica no Porto, Portugal, em 1891 e devido às questões políticas fugiram do país. Augusto seguiu para a Espanha e depois para o Brasil. No final de 1891 deu aulas no Colégio Culto à Ciência em Campinas e, em 1892, deu aulas no Colégio Rosa, primeiro colégio secundário para meninos em Piracicaba. Atuou como professor desse colégio até final de 1894 quando fundou seu próprio instituto, o Colégio Ypiranga (com primário e secundário), externato e internato considerado de grande porte pois atendia aproximadamente 80 alunos.

O Colégio atendia inclusive alunos de cidades próximas. Anteriormente, as famílias enviavam seus filhos para São Paulo, algo acessível apenas para os mais ricos. Ele manteve o colégio até final de 1899. Em 1900 e 1901, passa a dar aulas particulares e abre um curso noturno.

Em 1901, com a abertura da Escola Prática Agrícola Luiz de Queiroz, Augusto Salgado se torna secretário desta instituição e passar a atuar 1903 como professor. Além disso, ele também era membro ativo da Sociedade Beneficente Portuguesa e sempre participava e discursava nos principais eventos da cidade.

Segundo Carolina Martin, toda essa informação foi retirada do jornal “Gazeta de Piracicaba”, da época. O material é extenso e o objetivo do IHGP é resgatar uma história até então esquecida da cidade que repercute na Europa.