Mais um aniversário de Piracicaba
Mais um aniversário de Piracicaba

Mais um aniversário de Piracicaba

Antonio Oswaldo Storel é membro do IHGP; vereador (1997/2008; presidente da Câmara Municipal (2001/2002); fundador e primeiro presidente da EMDHAP (1991/1992)

Celebrar o aniversário da nossa querida Piracicaba, é agradecer a Deus o privilégio de ter nascido neste chão, demonstrando toda gratidão por ter me permitido caminhar com sua história nestes 89,5 (oitenta e nove e meio) anos de minha vida. E quantos acontecimentos, fatos, quantas realizações, enfim, quanta história temos para celebrar juntos neste seu 258º aniversário, minha querida sempre Noiva da Colina!
A memória carregada de registros, começa a trazer à tona todos os detalhes dessa história, como se fosse um documentário gravado nos velhos tempos da cinegrafia! E como é emocionante reviver esses registros! Ainda menino, antes de ir à escola, como ajudante de leiteiro de meu Pai Ernesto, percorrendo as madrugadas das ruas desertas e silenciosas onde o estalar das ferraduras do cavalo que puxava o carrinho de leite da Usina era o único som a se misturar com o delicioso murmurar da cachoeira do Salto do Mirante e hoje ressoam deliciosamente aos meus ouvidos já cansados!
O meu primeiro dia na Escola, levado pela minha avó materna, a Nona Rosa Rasera que me apresentou ao então Diretor da Escola Sud Mennucci, Professor Antonio Oswaldo Ferraz com aquele linguajar italianado cheio de amor e carinho: “Senhor Diretor, questo quá é el mi netinho e bisonha estudiare!” E Seu “Tonico””, como era chamado, ao olhar a minha certidão de nascimento exclamou, num gesto afetivo de acolhida: “Seja bem vindo, meu Xará!” Quanta coisa importante da minha formação recebi e testemunho aqui minha gratidão à Escola Sud Mennucci! A minha primeira professora, Dona Dirce Coelho Mendes, que acompanhou a turma até o segundo ano e depois Dona Helena Dutra Furlan, uma verdadeira mãezona para todos nós, seus alunos, que ficamos com ela no terceiro e quarto anos do primário.
Depois no curso ginasial com um(a) professor(a) de cada matéria! Seu Argino Leite na Matemática, Dona Zelinda Carmona no português, Seu Manassés no francês, Seu Paciti na história, Seu Moacir Diniz em ciências com o seu Clube de Ciências na rua Ipiranga, onde assistimos muitos filmes educativos para produzirmos trabalhos escolares, Seu Benedito Dutra em música, seu Guilherme Vitti em latim. Guardo todos registrados em minha memória com muito carinho e gratidão ! Constituem parte importante dessa história de Piracicaba.
Na terceira série do curso ginasial, levado por um colega, comecei a trabalhar por iniciativa própria como entregador do Diário de Piracicaba na região do Bairro Alto (acima do Ribeirão Itapeva). Chegava no jornal às três horas da madrugada e trabalhava até as sete pois às sete e meia tinha Educação Física na Escola. Mais um trecho muito bonito da minha história com a Noiva. O proprietário do Diário era o Sr. Fernando Aloisi e depois vendeu para o Sr. Sebastião Ferraz. O Chefe da entrega era o Rogério Tomazello, pai do Kerko que sempre dava uns exemplares a mais prá gente vender na rua e com o dinheiro comprava um pão doce delicioso na Padaria Bom Jesus. Esperando para dobrar os jornais que o Sr. Lordelo imprimia naquelas máquinas antigas, convivíamos com os linotipistas Ditinho e Euclécio Boscariol (este que foi companheiro depois na gestão municipal do Prefeito Adilson Maluf). Através do Diário, vivia o dia a dia da história de Piracicaba.
Depois do curso primário e ginasial no Sud Mennucci, matriculei-me no curso científico noturno do Colégio Piracicabano para poder trabalhar durante o dia. Fiz o curso de datilografia e meu primeiro emprego foi no Escritório do Despachante Fogaça na Rua São José, em frente à Delegacia de Polícia (que também era Cadeia) onde levava os documentos do Escritório para o Delegado assinar, passando a todo momento em frente as celas onde os presos estavam. Lembro-me bem de alguns Delegados que atendiam, ás vezes interrogando algum prisioneiro e eu tinha muito medo dessa situação! Ainda mais quando o Delegado deixava o revolver em cima da mesa ao alcance de sua mão!
E assim, cada vez mais, fui percebendo que a história de minha vida estava jntegrada à história da cidade onde eu nasci e cuja população eu sentia que amava. Hoje, ao comemorarmos os 258 anos de minha adorada Piracicaba, minha memória registra que cerca de um terço dessa história eu tive oportunidade , por graça de Deus, de fazer parte dela. E esse fato enche-me de felicidade, orgulho e, se Deus quiser, espero ainda comemorar mais alguns aniversários da querida sempre Noiva da Colina! Muitos acontecimentos ainda estão na memória, mas o espaço é curto e aguardam outra oportunidade!