Antonio Oswaldo Storel é membro do IHGP; vereador (1997/2008); presidente da Câmara Municipal (2001/2002); fundador e primeiro presidente da EMDHAP (1991/1992).
As Igrejas, de modo geral, sempre foram motivo de destaque e até de atração turística no contesto da paisagem urbana das cidades. Tanto pelos seus aspectos arquitetônicos em que algumas se apresentam como verdadeiras “joias” da arquitetura no transcurso da história da sociedade, como pelos aspectos topográficos e da própria religiosidade do povo. Mas existe algo que é quase obrigatório na estrutura física das Igrejas e que não é muito aparente visualmente, mas que exige um detalhe arquitetônico para sustenta-lo que são os sinos e precisam das torres para que sua ação possa alcançar o efeito desejado.
Em nossa querida Piracicaba, completando neste mês de agosto que vai chegando ao fim, seu 258º aniversário, a Igreja do Senhor Bom Jesus do Monte é, sem dúvida nenhuma, um exemplo concreto do que afirmamos acima. A sua localização no coração da Cidade alta, na subida do morro da Rua Moraes Barros que começa nas margens do Rio e que vai até o Cemitério, apresenta uma arquitetura simplesmente maravilhosa com uma torre que ostenta em seu topo uma imagem enorme do Cristo Redentor de braços abertos, olhando para a colina central da cidade e para onde está o Rio Piracicaba e que parece estar abençoando a cidade.
Mas a bela torre, guardada por estátuas de anjos , sustenta, no pavimento logo abaixo dos pés do Cristo, com janelas permanentemente abertas aos quatro pontos cardeais, os famosos “Sinos do Bom Jesus”. Inaugurados em 1929, foram fabricados em São Paulo em bronze puro – dois grandes e três pequenos - e doados à Igreja pela Família Cardoso. Foram colocadas sete cordas de aço para que fossem tocados manualmente do piso normal da Igreja (segundo Guia da Terra – A Província).
Tudo isso guardado dentro de uma torre para produzir aquilo que encantava e seduzia o coração da população: os sons suaves e harmônicos de um hino religioso, as badaladas da Ave Maria, que nós crianças conhecíamos como “Louvando a Maria - Louvando a Maria, o povo fiel, a voz repetia de São Gabriel! Ave! Ave! Ave Maria!” . E esses acordes sonoros saídos das janelas da torre penetravam com suavidade os ouvidos extasiados dos piracicabanos e piracicabanas às seis horas da manhã e eram repetidos ao meio dia e às seis horas da tarde, sob a ação das mãos ágeis e inspiradas de um Sacristão inesquecível, o Toninho (Antonio Correa). Os Sinos do Bom Jesus, em sua magia de sons, espalhavam pela cidade as figuras queridas do Toninho Sacristão e do Monsenhor Martinho Salgot que foi Pàroco por muitos anos da Paróquia do Senhor Bom Jesus.
Mas os sinos também cumpriam outras funções, tanto no bimbalhar da alegria da Ressurreição de Jesus , na Páscoa, ou em outros momentos litúrgicos de alegria religiosa, como no toque respeitoso de tristeza ao anunciar que mais um corpo sem vida estava recebendo as exéquias na Igreja, no momento em que estava subindo a Rua Morais Barros para o Cemitério.
Porém, foi o toque alegre da Ave Maria que ficou gravado em nossas memórias e que inspirou a criatividade dos compositores Anuar Kraide e Jorge Chadad a produzirem a bela canção que Foi gravada em disco pelo saudoso cantor Pedro Alexandrino com o título “Sinos do Bom Jesus”.
“Sinos do Bom Jesus, que despertam a cidade! Trazendo paz e amor, alegria e felicidade! Sinos do Bom Jesus, os teus sons ficam ao léu! Sinos do Bom Jesus que nos levam ao Céu!” ! Tão bonito, agradável e bom para o povo, porque parou? Será que só o Sacristão Toninho seria capaz de tocar a Ave Maria ? Como estarão as instalações dos sinos e cordas de aço? Não seria possível recuperar aqueles recursos técnicos e reviver aquela sensação gostosa de sermos acordados pelos Sinos do Bom Jesus? Ou, antes de iniciarmos a refeição do almoço , lembrarmo-nos da Virgem Maria, Mâe de Jesus, para agradecermos o alimento que temos à mesa? E ao final do dia, mais uma vez, os Sinos nos lembrarem de apresentarmos nossa Gratidão a Deus por mais um dia de Vida? Que tal nós todos, piracicabanos nos unirmos junto aos padres que administram a Paróquia atualmente para recuperar algo tão bom?
