O Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), em parceria com a Secretaria Municipal da Ação Cultural (Semac) e apoio cultural da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), lançam no dia 12 de março, sábado, às 10 horas, pela plataforma Zoom, o livro da professora Marilda Soares, intitulado Acervo do Monte Alegre (Excertos da massa documental dos Engenhos de Piracicaba). A obra traz um apanhado de documentos selecionados de um acervo imenso recebido pela Semac em doação.

Para Marilda Soares, os documentos abrem um campo novo de pesquisas históricas sobre a economia açucareira no Brasil. “Trata-se de uma massa documental que conserva informações de aspectos da organização do trabalho, como livros-ponto, registros de contratos e atendimentos hospitalares e legislação trabalhista. Também guarda registros da manutenção da edificação religiosa e seus ornamentos, correspondências e autorizações para realização de cerimônias no âmbito da Igreja de São Pedro de Monte Alegre”, escreve a autora.

O aspecto mais envolvente – além do vislumbre sobre a possibilidade de haver na massa documental informações importantes de personalidades e famílias de Monte Alegre – diz respeito “às escrituras e transações comerciais referentes às propriedades do Engenho Central e Monte Alegre, preserva fontes cartoriais de valor extraordinário, como contratos de parceria agrícola, reconhecimento de dívidas e diversos processos imobiliários dos séculos XIX e XX”, o que possibilitaria estudos sobre a história local e nacional, em seus aspectos sociais, econômicos e políticos.

A riqueza do material foi percebida primeiramente por José Luiz Guidotti Júnior, secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (Semdettur), que comprou um imóvel no bairro Monte Alegre, onde funcionou por muito tempo o Escritório Central da Família Silva Gordo, que gerenciava as usinas Monte Alegre e Engenho Central. Diante da novidade encontrada em um quarto fechado, ele procurou em 2021 o secretário da Ação Cultural, Adolpho Queiroz, para tratar dos documentos, e foi feita a parceria para que a professora Marilda Soares desse um tratamento histórico ao material. Anteriormente, o acervo passou pelo crivo do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) e contou com a colaboração de historiadores, que fizeram uma primeira triagem.

Adolpho Queiroz, no prefácio do livro, justifica sua iniciativa dizendo que Piracicaba precisa criar uma estrutura para preservar e conservar sua história local. “Nossa memória escrita está espalhada em espaços públicos como a Biblioteca Municipal, o IHGP, o Centro Martha Watts, entre outros […] Creio que uma das missões da nossa Secretaria, nesse período de governo, será a de criar um espaço de memória, que resguarde nossa história”, e considerou a chegada dos documentos um prenúncio para levar a cabo sua intenção.

“O encontro do passado com o presente, a transformação dos engenhos até a metamorfose em engenhos da cultura nos dias atuais, o papel que a cana-de-açúcar desempenha na geração de energia renovável, na preservação do meio ambiente e da história é algo que está diretamente conectada com o propósito da Coplacana: ‘Coragem para conectar sonhos e transformar vidas’”. Esta é a síntese de Arnaldo Antonio Bortoletto, presidente da Coplacana, para demonstrar o prazer com que a entidade decidiu participar desse momento histórico.

O presidente do IHGP, Pedro Vicente Ometto Maurano, destaca a riqueza do material descoberto. “Honra-nos ser parceiros na divulgação desse novo capítulo da história de Piracicaba. Há no seu interior relatos, detalhes de vidas, imagens, sonhos e realizações dos funcionários, de todos os escalões que construíram essa história quase sesquicentenária”. História que a partir de agora poderá ser contada por todos aqueles interessados em colocar as mãos na massa e recortar com cuidado os segredos guardados em um velho cômodo de uma velha casa do Monte Alegre, que agora se renova.